quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

BE e Sá Fernandes


Este post foi pensado antes do Congresso do PCP e escrito durante. Não o postei por achar que havia demasiada sensibilidade no ar e que poderia inibir a reflexão ideológica.

De acordo com o que pude ler, o BE entendeu retirar a confiança política ao vereador Sá Fernandes, sem que tenha sido formalizado um pedido para que abandonasse o cargo para que foi eleito numa lista do BE. Se é verdade que a lei estabelece a eleição autárquica como uma eleição pessoal, cabendo ao eleito a última palavra, interessa-me também analisar a responsabilidade politica e a legitimidade para exercer este cargo.

Em primeiro lugar, poder-se-ia considerar que muitos eleitores votaram Sá Fernandes e eventualmente não votariam no BE. Contudo, salvaguardando as diferentes conjunturas e carácter de eleições, até numa eleição bastante mais difícil para o BE, as Presidenciais de 2006, Francisco Louçã teve mais votos que a lista encabeçada por Sá Fernandes nas intercalares em Lisboa. Uma análise cuidada dos resultados permite-me afirmar sem grande margem de erro que nas eleições intercalares e nas anteriores autárquicas, ao contrário do que é assumido (até por dirigentes do Bloco), Sá Fernandes não representou uma mais valia eleitoral:

2007 Intercalares (Lisboa) BE (c/ Sá Fernandes) 13.133 votos

2006 Presidenciais (Lisboa) F. Louçã 17.656 votos

2005 Autárquicas (Lisboa) BE (c/ Sá Fernandes) 22.342 votos

2005 Legislativas (Lisboa) BE 30.651votos

2002 Legislativas (Lisboa) BE 18.046 votos

Assim sendo, após a retirada de confiança política por divergências para com um programa traçado, é-me difícil entender por é que o BE não solicita ao vereador eleito pelas suas listas que se retire, dado que está manifestamente ferido de representatividade. Hoje, na CML, Sá Fernandes representa-se a si próprio, e não me parece muito arriscado dizer que serão poucos os eleitores de 2007 que ainda o apoiam.

O PS rejubila podendo passar para o vereador pelouros que não lhe interessam e onde foram inexistentes, Sá Fernandes mantém-se no executivo e prepara-se para integrar o próximo e o BE, embora chamuscado, é menos responsabilizado pela inacção do seu vereador. Quem perde são os 13.133 eleitores que ficaram sem voz na CML.

via cinco dias by Tiago Mota Saraiva on 12/2/08

6 comentários:

Anónimo disse...

Este blog agora copia posts de outros blogs? Parece-me ridículo. Ainda mais porque se o objectivo era afectar o Sá Fernandes errou no alvo. Que pouca inteligência na interpretação do que se escreve por aí.

Chalana disse...

Não te preocupes: os eleitos do partido comunista português estão lá pra dar voz aos que não têm voz

Anónimo disse...

A cópia de um post de um membro do PCP para aqui significa o quê? Que há uma parte do BE que não se revê na decisão da sua direcção em reconhecer a legitimidade do mandato de Sá Fernandes? É por isso que o post é anónimo?

Anónimo disse...

É verdade.

Se calhar o perfil de quem é verdadeiramente útil à cidade, abordando os problemas de qualidade de vida com a complexidade que eles têm, no lugar de dizer o que as pessoas querem ouvir, não é popular nem colhe votos.

Porque o que as pessoas querem ouvir são soluçõs simples, para que não sejam confrontadas com a sua ignorância. Dum lado o continuar a recorrer ao logro da "solução do betão" e do outro à sua simples diabolização.

A democracia é para mim o melhor dos sistemas. Mas infelizmente, na nossa sociedade, as pessoas estão enganadas no que é melhor para elas, e emocionalmente condicionadas devido ao facto do questionar do sistema em que vivem ser equivalente a colocar em causa a sua própria contribuição social.

Eu sou um dos 13.133 eleitores e o meu voto foi mais para o Sá Fernandes do que para o BE.

E ainda que para os outros 13.132 eleitores o seu voto tenha sido pelo BE, acredito que se sintam mais representados por alguém cujo principal objectivo é melhorar a cidade, do que por alguém do PS ou por um vereador do BE que se limitará a ter voz.

Podemos não ter agora tanta voz, mas em algum momento é necessário pôr as mãos na massa e não ter medo de sair chamuscado. E é isso que o Sá Fernandes está a fazer. Eu quero alguém que melhore de facto a cidade a representar-me, e que não se limite ao estéril tempo de antena.

Porque enquanto o BE não for capaz de trabalhar com pessoas de origens políticas diferentes, respeitando-as, nunca vai passar da fase em que tem voz para passar a ter verdadeiramente influência na vida das pessoas.

Anónimo disse...

O BE demonstrou ser capaz de trabalhar com pessoas de origens políticas diferentes. O Sá Fernandes é a demonstração viva disso mesmo. Nunca nenhum partido tinha dado tanta capacidade de decisão própra a um independente que sempre entendeu o BE de forma instrumental.
Quando esse mesmo independente passa a seguir uma orientação política que não a da sua própria candidatura, é natural que se clarifiquem as posições.
O BE fez bem em tomar a iniciativa de proceder a essa clarificação.
Claro que era conveniente para o Sà Fernandes continuar a aparecer como vereador do BE, mas a fazer a política do PS. Mas era muito mau para a transparência da política na cidade. E essa falta de transparência é o pior que se pode fazer a Lisboa. Lamentavelmente, Sá Fernandes não foi transparente e prejudicou Lisboa. De facto pôs as mãos na massa, mas lambuzou-se todo.

João disse...

O que acho é que para fazer coisas em política é necessário fazer compromissos, e a ideia que fica é que o BE não está disposto a isso. Ou se está, está de uma forma muito limitada, não distinguindo o essencial do acessório.

E para mim o essencial é a qualidade de vida na cidade. Se é com contratação de novos funcionários ou por outsourcing, para mim isso é acessório.

Quando ao caso dos contentores, o debate na rtp foi elucidativo. Só quem tem uma aversão ao Sá Fernandes (e concordo que seja uma vasta maioria) é que não concordará que a sua posição era na defesa do melhor para a cidade e a sua qualidade de vida. E com coerência, algo que rareou... Eu próprio fui assinante da petição, e embora não arrependido, fiquei muito desiludido.

E quando falei em respeito, referia-me às origens e não às pessoas. Concordo que a experiência "Sá Fernandes" para o BE foi um passo em frente. Mas será o BE capaz de concorrer em coligação sem se apropriar desta?
Esse quanto a mim seria o passo revelador de verdadeira abertura da parte do BE.

Vou estar cá para ver a evolução da relação com Helena Roseta. Assim como estarei também para acompanhar o trabalho do Sá Fernandes para ver se de facto se lambuza. Mas por enquanto, não me parece.