quinta-feira, 24 de julho de 2008

PROPOSTA DA EPUL FICOU AQUÉM DOS COMPROMISSOS


A proposta do PS para alteração estatutária da EPUL foi aprovada por maioria, ontem, em reunião da Câmara Municipal de Lisboa. Foi também extinta a SRU da Baixa, mas a fusão da GEBALIS na EPUL, no sentido de racionalizar e integrar a intervenção da CML na área da habitação, não foi proposta, nem sequer anunciada.

A posição do Bloco de Esquerda sobre a reestruturação das empresas municipais em Lisboa tem sido clara e foi expressa no texto do chamado acordo de Lisboa com o PS. Nos termos daquele acordo, seria garantido, até ao final de 2007, a completa reorganização do sector empresarial do município e do conjunto das suas participações sociais, tendo em vista, nomeadamente, a reavaliação das SRU, da GEBALIS e da EMEL, procedendo às adequadas operações de integração, fusão ou extinção. Referia-se igualmente que a reestruturação da EPUL devia recentrá-la na reabilitação e dinamização de um mercado habitacional para atracção de novas famílias à capital.

Pois bem, para além de mais de meio ano de atraso na reestruturação do sector empresarial do município, o facto é que não há qualquer proposta de “integração, fusão ou extinção” para a GEBALIS.

A oportunidade de proceder à fusão da GEBALIS com a EPUL, uma das 20 medidas prioritárias do programa “Lisboa é Gente” encabeçado por José Sá Fernandes, acabou de ser perdida na reunião de ontem da CML. Esta teria sido, nos termos do referido programa, a “forma de garantir uma gestão mais racional, transparente e económica dos interesses municipais”, neste caso em matéria de habitação na cidade.

O Bloco de Esquerda lamenta que o vereador José Sá Fernandes não tenha apresentado na sessão de Câmara a proposta de fusão da GEBALIS com a EPUL, no cumprimento do programa eleitoral que constitui o nosso compromisso com os lisboetas, e se tenha remetido para um mero voto seguidista de aprovação da proposta de alteração estatutária da EPUL, apresentada por dois vereadores do PS.

O argumento para não ter procedido à proposta de fusão GEBALIS/EPUL, veiculado em comunicado de imprensa do seu gabinete, remete para a situação económica difícil e sujeita a investigações da GEBALIS. Porém, essa também é a situação da EPUL, o que não obstou a que se tivesse avançado para a sua reestruturação, como é natural. Não é credível que, depois de definidos e aprovados os novos objectivos e estrutura da EPUL, se pense que nos próximos tempos ainda se coloque a possibilidade da sua fusão com a GEBALIS ou sequer de vir a assumir a gestão dos seus bairros. O contrário, aprovar agora uma coisa para a mudar passados meses, seria anti-económico e irresponsável.

A proposta sobre a EPUL aprovada pela maioria não corresponde às propostas da candidatura “Lisboa é Gente”/Bloco de Esquerda e aquilo que era uma porta em aberto no acordo com o PS, a fusão da EPUL com a GEBALIS, tal como aconteceu com a extinção de duas SRU, passou a ser uma porta fechada.

Lisboa, 24 de Julho de 2008
A Concelhia do BE/Lisboa

15 comentários:

Fernando disse...

Tudo a seu tempo - tudo transparente. É o lema do gabinete de SF.

Continuo a achar que SF é fiel aos seus compromissos. O que me parece é que vindo dos dois lados -BE e SF - se está a apostar no divórcio, em partes talvez iguais, agora. Pela minha parte tenho muita pena. Porque gosto de SF e simpatizo com o Bloco. Assim à distância parece-me que o Bloco não tem sabido compatibilizar as suas posições políticas com a personalidade independente de SF e se esteja a preparar para outras apostas políticas e pessoais. Este comunicado da C.Concelhia confirma a ruptura definitiva.

Anónimo disse...

Este comunicado apenas diz que sobre a Gebalis e a Epul o Sá Fernandes tem uma posição e o BE tem outra. O que é verdade é que o Sá Fernandes não soube ou não quis avançar com a proposta que estava no seu programa de fusão das duas empresas. Acho que o Bloco tinha a obrigação de dizer que se mantinha fiel ao seu compromisso com aqueles que nele votaram e defender o que está no programa eleitoral. Fez muito bem, na minha opinião.

Anónimo disse...

O BE está na complicada situação de ter um Vereador e ao mesmo tempo esse mesmo Vereador ser um alvo a abater.
Transformar qualquer pequeno aspecto no grave desvio político de seguidismo ao PS é uma boa estratégia, mas não sei se resultará.

Coluna disse...

Não ponham "paninhos quentes" na coisa. O BEs caracterizou como "SEGUIDISTA" o Zé Colmeia. Coisa pouca? Se calhar no "pluralismo" do BEs são cócegas. Tentam limpar-se da porcaria em que se meteram e agora metem as culpas todas em cima do Zé Colmeia

Anónimo disse...

Gostei do Zé Colmeia :)))
Mas não acho que o problema seja "um pequeno aspecto". É o cumprimento do programa eleitoral.

Anónimo disse...

o Problema da Gebalis não se compadece com mais atrazos.

Lembrem-se da Quinta da Fonte, do Bairro do Aleixo.

Sá Fernandes assumiu um compromisso,~e é homem de palavra, TEM DE CUMPRIR, o acordo com o PS tinha esse ponto, e por isso está na altura de exigir ao PS o respeito pelos compromissos assumidos, e neste caso não é o Sá Fernandes que tem de mudar as suas posições.

Anónimo disse...

O busilis da questão é se o tal Zé Colmeia os tem no sítio para exigir seja lá o que for ao PS.

Anónimo disse...

Porque é que não se transforma todo o programa em propostas para reunião de câmara? No mandato anterior, quando o Sá Fernandes ainda era o independente de estimação do BE, foi apresentada alguma proposta de fusão?

O Sá Fernandes, bem ou mal, entendeu que devia votar a favor da proposta de alteração de estatutos da EPUL, afirma que fica satisfeito que a EPUL comece finalmente a sua reestruturação e que se vire para a reabilitação (que também estava no programa, certo?). Afirma também continua a defender que a GEBALIS se integre na EPUL. Isto é não cumprir o programa eleitoral?

O PCP votou contra porque está contra o conteúdo dos estatutos. Mas o BE diz que se deve votar contra porque é necessária fazer mais uma fusão?

Se o Sá Fenandes fosse o candidato do BE às próximas eleições era ver o BE a dizer mais uma grande vitória do BE, reestruturámos a EPUL, extinguimos as SRU, virámos a EPUL para a reabilitação, tudo isto uma semana depois de termos aprovado o 1º orçamento participativo da cidade de lisboa. Mas já foi decidido que não é, não foi? Depois não venham é criticar o PCP com o caso de Setúbal e Marinha Grande

Anónimo disse...

O anónimo anterior acertou no alvo. Compete ao vereador cumprir o seu programa e para isso tem de trabalhar e transformá-las em propostas na Câmara. Se não o fizer não cumpre o seu programa e as promessas que fez aos eleitores. É simples, não achas? Parece que foi o que ele fez no mandato anterior. Não eram vocês que diziam ele ter apresentado dezenas de propostas e até ter conseguido aprovar não sei quantas?

Anónimo disse...

"Se o Sá Fenandes fosse o candidato do BE às próximas eleições era ver o BE a dizer mais uma grande vitória do BE, reestruturámos a EPUL, extinguimos as SRU, virámos a EPUL para a reabilitação..."
O anónimo que escreve isto quer dizer mais, que o BE é oportunista, não tem coerência política nem princípios e age em função de interesses meramente eleitoralistas. O BE nada tem a dizer sobre isto? O programa eleitoral não foi feito com o BE e o BE não tem obrigação de o defender? O anónimo sente que o cumprimento do programa eleitoral é coisa de somenos, o que interessa é o que o Zé entende ("bem ou mal") em cada momento? Muito preocupante!

Anónimo disse...

O Sá Fernandes está com grande nível. Reparem como ele trata o órgão eleito do BE que lhe pagou a campanha e à custa da qual foi eleito:

"O vereador dos Espaços Verdes diz que «os três ou quatro membros da concelhia querem dar um passo mais rápido do que ele pode ser dado».

«Pedir é muito fácil, fazer é que é pior», afirmou, sublinhando que confrontou a concelhia com todas as dificuldades de fundir neste momento da Gebalis na Epul."

São uns 3 ou 4 gajos ainda por cima incompetentes que não percebem nada da câmara...

Vem no Sol on-line http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=102821

Anónimo disse...

Para o penúltimo anónimo: Quanta escolástica! Assim não me convences.

Sabemos muito bem que valorizar o trabalho feito não é sinónimo de oportunismo e muito menos de falta de coerência. Sabemos ambos que valorizar as coisas boas que os partidos e candidatos fazem não é agir em função de interesses meramente eleitoralistas. Sabemos bem que a politica não se reduz è elaboração de um porgrama e que é obviamente uma simplificação dizer que quando em minoria o trabalho que há a fazer é transformar todo o programa em propostas concretas para serem sujeitas a votação e que isto não é necessáriamente sentir que o programa eleitoral é coisa de somenos.

Finalmente sabemos bem, nesse caso dou-te razão, que o Sr. José Sá Fernandes é independente mas foi eleito nas listas do Bloco, com um programa do Bloco, com o dinheiro do Bloco!, como se diz. Logo, não cabe a ele sozinho decidir o que interessa em cada momento. De acordo.

Mas isso não invalida a minha tese de que a)O candidato do Bloco não é O Sá Fernandes b) as razões disso estão a juzante e não a montante do EPULgate. Provavelmente estarão, enrraizadas naquilo que agora disse que concordava contigo: o Sr. Vereador decide tudo sozinho e não dá cavaco ao Bloco. Logo, repito, o Bloco que pense 2x antes de criticar ao PCP casos como os da Marinha Grande e Setúbal.

Mas tantas palavras para quê? O coluna do nosso benfica à sua maneira acertou na mouche. Já o Coelhone dizia: Estes independentes são muito imprevisíveis!

Anónimo disse...

Pois mas o BE , não EXPULSA A PONTAPÈ ,militantes com dezenas de anos de militancia partidaria, como fez o PCP com Barros Duarte Presidente da Camara da Marinha Grande.

A grande diferença é que Barros Duarte foi expulso a pontapé, Sá Fernandes apesar de independente e das divergências, continua a ser o vereador independente apoiado pelo BE.

E mesmo se algum dia a cisão se consumar, NUNCA o Bloco utilizará os metodos que o PCP costuma utilizar, lembro Carlos Sousa, Luisa Mesquita, Barros Duarte...etc etc etc

É ver como procede o PCP, com os trabalhadores da Camara de Setubal, se fosse em Lisboa, já tinhamos os Stal, a celula do PCP , o CC a gritar que a Camara de Lisboa não respeitava os trabalhadores, assim como se trata da Sra. D. Maria De Lurdes Meira, substituta imposta aos Setubalenses pelo PCP, está tudo nos conformes.

E ainda fala o PCP em principios.

Seguem a velha máxima:

Faz o que eu digo não faças o que eu faço....

Anónimo disse...

"A grande diferença é que Barros Duarte foi expulso a pontapé, Sá Fernandes apesar de independente e das divergências, continua a ser o vereador independente apoiado pelo BE.!"

Sim senhor@! O que importa é o Vereador e a imagem pública do BE. Que se lixem os compromissos eleitorais e os lisboetas.

Anónimo disse...

É porque o que importa são os compromissos, que no BE e abertamente se discutem as posições, e as divergências entre o BE e o vereador Sá Fernandes.

Agora discute-se ,e ninguem é proibido de ter opiniões divergentes, mas como no Bloco não há linha justa, nem pensamento único, as divergências resolvem~se discutindo, mas não alinhando em campanhas organizadas.

É bem diferente, do que correr a pontapè , militantes ou outros independente eleitos só porque têm divergências.

Caluniar e expulsar quem não obedece ao CC, basta ver as declarações de Barros Duarte da Marinha Grande , de Luisa Mesquita de Santarem ,ou de Carlos Sousa de Setubal, esses são metodos do PCP, não são os métodos do BE .

Quanto aos compromissos assumidos se foram ou não cumpridos, È AO POVO DE LISBOA que compete na sua imensa sabedoria, tirar essa conclusão nas proximas eleições autarquicas, e isso só pode ser feito, uma vez terminado este mandato.

Ainda há um ano para Sá Fernandes mostrar, se é capaz de cumprir , os compromissos com que se apresentou ao povo de Lisboa.

E ao Bloco de ESquerda de tomar a decisão de o continuar, ou não a apoiar.

Até lá e apesar das divergências , é politiquisse barata, falar em que o BE se vendeu ao PS, e não cumpre os compromissos com que se apresentou ao povo de Lisboa.

Muitas promessas têm sido boicotadas, o PSD o Carmona, O PCP tudo têm feito para sabotar a acção do Sá Fernandes, isto é publico, e não vale a pena estar com meias palavras, apesar disso, alguns pontos do programa do BE foram aprovados , e estão em execução

E é aqui que tudo se irá definir, terá Sá Fernandes ânimo para ultrapassar todos os escolhos, ou fará compromissos que acabarão por sabotar na pratica, todo o seu projecto.

Terá o Bloco a visão tactica, de o apoiar, mesmo por vezes divergindo de algumas das suas posições, para não dar armas aos seus adversarios?

Dentro de um ano tudo isto vai estar em cima da mesa.

Mas pela primeira vez, numa autarquia como Lisboa tudo é feito ás claras.

Tão diferente do que se passa por exemplo com o Rui Rio PSD no Porto, o com Maria de Lurdes Meira PCP Setubal....