quinta-feira, 19 de março de 2009

GEBALIS INCOMPETENTE

A crise habitacional na cidade de Lisboa entra pelos olhos dentro e está a gerar revolta nos moradores. A Câmara mantêm-se inoperante para enfrentar esta urgência e remete-se para uma política que alterna entre o virar das costas aos problemas, como no caso do Bairro Portugal Novo, e a tentativa de afirmação da sua autoridade, com a execução de despejos, tal como tem vindo a acontecer no Bairro do Cabrinha.


Porém, na realidade, a Câmara tem vindo a perder toda a autoridade em matéria de habitação. Este Executivo começou o mandato a fazer despejos inconsequentes, passou pelo escândalo das atribuições de casas municipais sem critérios e parece que quer terminar com a Polícia Municipal a ser o seu principal instrumento de política habitacional. E é muito grave, porque a recuperação da vivência de Lisboa é indissociável do reconhecimento das questões sociais como centrais no acesso à habitação, nomeadamente pelas chamadas classes médias e pela população de menores recursos.

Perante o abismo e já a meio do mandato, foi dada a responsabilidade de elaboração do Plano Local de Habitação a uma vereadora da oposição, o que não deixa de ser sintomático da incapacidade desta maioria PS em defrontar os poderes ocultos que continuam a mandar na cidade. De facto, nada poderá ser feito de substantivo até ao final deste mandato e aguarda-se, igualmente, a execução do compromisso político de garantir uma quota mínima de 25% para habitação a custos controlados nos novos projectos de construção e em grandes operações de reabilitação.

Mas a situação mais problemática em termos imediatos prende-se com a empresa que gere os bairros sociais, a Gebalis. Segundo notícias vindas a público e informações recolhidas entre as pessoas envolvidas, uma das ocupantes alvo das recentes acções de despejo na Quinta do Cabrinha – Sara Nunes, solteira, de 22 anos, mãe de uma criança de dois anos - tinha efectuado um pedido de habitação social quando o filho nasceu, não tendo até ao momento recebido qualquer resposta dos serviços municipais ou da Gebalis.

Uma empresa municipal que tem como único objecto da sua intervenção a gestão da habitação social na cidade, não tem disponibilidade para, ao longo de dois anos, dar uma palavra sequer a uma jovem mãe solteira que pediu ajuda? Não teria sido possível, no mínimo, esclarecer a situação social desta família monoparental, certamente a braços com dificuldades extremas? Não teria sido possível desenhar uma estratégia de apoio para esta família desesperada? A única alternativa foi o abandono? Para que serve, então, esta empresa financiada com os nossos impostos?

A situação da Sara não é única, nem se tratou de um erro qualquer que será corrigido em breve. Antes pelo contrário, sabemos que é prática comum da Gebalis recusar pedidos de desdobramento a famílias que já não cabem nos fogos, dormem no chão da sala ou partilham, entre pais, filhos e netos, quartos sem quaisquer condições. A empresa municipal não aceita sequer o registo desses pedidos, facto que aconteceu na maior parte dos casos das pessoas envolvidas nas ocupações de fogos vazios na Quinta do Cabrinha. No entanto, os fogos têm-se mantido vazios, sob os mais variados argumentos, mas sempre sob a capa da mais revoltante insensibilidade. A Gebalis demonstra de forma exuberante a sua incompetência, perante a inacção dos responsáveis políticos.

O presidente da Câmara de Lisboa e a vereadora da Habitação, não têm nada a dizer sobre isto, a não ser enviar a Polícia Municipal? Agora, em Lisboa, qualquer problema de habitação passou à categoria de “caso de polícia”? Este Executivo está a prestar um péssimo serviço ao indispensável processo de integração da cidade. Segregam-na cada vez mais, estigmatizam os bairros sociais e quem lá vive sente-se cada vez mais isolado. Lisboa continua a definhar com esta política.

Pedro Soares

13 comentários:

Anónimo disse...

A desonestidade intelectual deveria pagar impostos. O BE entrava insolvencia no primeiro dia da aplicação da lei.

Tiago Gomes disse...

Caro Pedro Soares:

A Gebalis não é "financiada com os nossos impostos": não depende do orçamento do estado, mas apenas das receitas próprias geradas pelas rendas.

Anónimo disse...

Está enganado, caro Tiago. Basta ver as transferência da CML para a Gebalis ao longo dos anos. Passa-se com a Gebalis e com a generalidade das empresas municipais de Lisboa.

Anónimo disse...

Desonestidade é levantar dúvidas sem as fundamentar.O anónimo já deve andar afundado em dívidas a esse seu imaginário fisco.

Anónimo disse...

Há pessoas que escrevem muito bem! Há ainda pessoas que além de escreverem bem têm muita razão no que dizem: toda a gente percebe que a Câmara só dá as casas quando quer (vésperas de eleições)e a quem quer (funcionários e amigos de partido).
Parabéns por mais um brilhante artigo Dr. Pedro Soares

Anónimo disse...

O homem é Dr?!!

Brilhante. Será que tem um tacho na Câmara? Ou já teve?

Anónimo disse...

Mais vale ser Dr. do que ser anómimo... Não acha!? Além do mais escreve bem qt a si...Já não se pode dizer o mesmo!

Anónimo disse...

Mais vale ser Dr. do que ser anómimo... Não acha!? Além do mais escreve bem qt a si...Já não se pode dizer o mesmo!

Anónimo disse...

Obrigado Anómino a dobrar, ou ao quadrado.

Presumo que também é Dr. Diga-me lá, se não se importa, o que devo fazer para melhorar a minha escrita. Se é que me pode ajudar, claro. Parece-me que nem sequer sabe utilizar a pontuação...
Que tenha uma boa tarde!

Anónimo disse...

Pois, pontuação não parece ser o vosso forte... Quando se faz uma pergunta, deve-se terminar a frase com um ponto de interrogação, anónimo anterior. LOL

Anónimo disse...

Olá LOL!!!

Que nome tão lindo. Tem muita razão. E, humildemente, lhe agradeço esta lição. Nunca mais me esquecerei do ?. A verdade é que eu não quis ser interrogativo.

Obrigado,

a) anónimo anterior

snyper disse...

quem faz estes comentários não mora em bairro social de certeza!eu simpatizo com o bloco mas não acompanho o bloco em algumas destas criticas,pq a maioria destas pessoas nada merece,são oportunistas até dizer chega,são dos tais que querem que os outros lutem por eles,por isso o que vi pela tv sobre a situação na quinta da cabrinha me diz tudo...oportunistas

falcão

Anónimo disse...

Oportunistas.
Assino por baixo.