sexta-feira, 20 de junho de 2008

Há Arraial na Mouraria!


A recém-criada Associação Renovar a Mouraria está nas Festas de Lisboa, por uma Mouraria renovada, florida, limpa, com fado e com guitarras, com sabor a uma história secular e multicultural.

Pus o link aí ao lado. Ide ver.

***



Entretanto, esta noite, das 20.00h às 02.00h Blablabla Dj´s –"Num imenso banho de portugalidade"



Amanhã, sábado, 22.30h – Feromona ao vivo.



Antes do concerto, pelas 22.00h, será projectado o documentário "Iran, 1383", realizado por Maja Malus.

O dia de sábado promove a gastronomia iraniana com o Chefe Behrang Azhdari
não faltará a sardinha e tudo que pode ser encontrado num arraial de Lisboa.



[B Aranda]

quinta-feira, 19 de junho de 2008

CONTRA A CORRENTE NAS AMENDOEIRAS


Lisboa assistiu há dias a uma manifestação pouco comum nos tempos que correm. Mais de 500 moradores do Bairro das Amendoeiras, na freguesia de Marvila, exigiram frente ao Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) o direito à posse das suas habitações, no cumprimento de uma velha promessa, reafirmada pelo actual Governo há cerca de um ano, mas que tarda em ser cumprida.

Recorde-se que as habitações sociais em causa foram ocupadas após o 25 de Abril por pessoas provenientes de bairros degradados de Lisboa, tendo posteriormente o Estado legalizado as ocupações e fixado as rendas através de um Decreto-lei, prometendo que as casas seriam alienadas aos moradores passados 30 anos.

No entanto, ao invés de cumprir a promessa de alienação dos fogos para os respectivos moradores, o Governo PSD/PP de Santana Lopes privatizou o bairro a favor de uma tal Fundação D. Pedro IV que não demorou muito tempo a lançar ameaças de despejo, aumentando as rendas de forma brutal.

Os moradores associaram-se, conseguiram que o Tribunal impedisse os aumentos exorbitantes e não descansaram enquanto não obtiveram do Governo, há cerca de um ano, a reversão da propriedade dos fogos para o Estado, retirando-a à Fundação. A mobilização agora é pela reabilitação do Bairro e pelo cumprimento do velho e actual compromisso da alienação das habitações para os respectivos residentes.

Não se deixaram remeter para o conformismo do destino que lhes cai em cima, mesmo que tenha nome de fundação. Não se renderam à lógica dominante nos dias de hoje que o normal é fazer de tudo uma fonte de lucro, mesmo que se trate de habitação social. Não se remeteram para as soluções individualistas do “safe-se quem puder”, mas organizaram-se, souberam com inteligência captar atenções e vontades para além do Bairro, confrontaram os poderes públicos e arriscaram ganhar nas condições mais difíceis. Cumpriram os seus deveres e exigem que o Estado respeite os seus direitos. Apetece dizer, com propriedade, que o “espírito Amendoeiras” é já uma referência no exercício da cidadania.

Pedro Soares escreve no JN, semanalmente, à quinta-feira.

EPUL


Os Relatórios de Contas e Plano (de 2007!) da EPUL foram ontem chumbados na Câmara.

Depois de mais uma inequívoca prova de falta de confiança do accionista-Câmara na equipa que gere aquela empresa (equipa essa nomeada por despacho pelo antigo Presidente da Câmara – que é feito dele?), será que é desta que aqueles 3 senhores vão apresentar a sua demissão?


[B Aranda]

terça-feira, 17 de junho de 2008

A IMORALIDADE E A PROMISCUIDADE DA GESTÃO CAMARÁRIA DO PSD

A perseguição política que o PSD tem vindo a travar ao Vereador José Sá Fernandes é gritante. A coligação negativa em que a intervenção social-democrata se tem revestido contrasta, em grande medida, com a ausência de propostas estruturantes ou alternativas para a cidade, num claro atentado a Lisboa e aos lisboetas.

A rejeição do lançamento de concursos públicos internacionais para a manutenção de espaços verdes da cidade, cujo estado de degradação se deve ao incumprimento sucessivo dos compromissos assumidos com os fornecedores, sem qualquer argumentação fundamentada, revela a atitude irresponsável e destrutiva com que o PSD reage aos problemas da cidade.

O entrincheiramento político-partidário levado a cabo pelo PSD na negociação dos protocolos com as Juntas de Freguesia teve como fundamento único a não assumpção de critérios rigorosos para a atribuição de verbas no que diz respeito aos espaços verdes, baseados exclusivamente nas competências e reais possibilidades de cada junta. O Vereador José Sá Fernandes sempre recusou atribuir verbas que não tivessem como utilização exclusiva a manutenção dos espaços verdes sob a gestão das Juntas de Freguesia.
Nos últimos executivos camarários, a passagem do PSD pautou-se por uma promiscuidade nos negócios efectuados e no favorecimento, sem precedentes, dos privados, de tal modo graves que deram origem a uma sindicância e à abertura de processos judiciais.

Após mandatos desastrosos na Câmara Municipal de Lisboa, cujas consequências recaem ainda sobre os cidadãos e cidadãs de Lisboa, ao Partido Social-Democrata é-lhe apenas concedida a legitimidade de apresentar as moções que entender, porém, o PSD não tem, efectivamente, uma história de gestão municipal que lhe confira qualquer autoridade moral para censurar todo um esforço deste mandato para resolver não só os problemas que aquele partido criou, como também para enfrentar os novos que surgem.

[AS]

Mais uma tenebrosa privatização do espaço público!!!

«Abre Nuncio Vade Retro!
Querem vender a nação!»

(José Afonso na 'Arcebispada')



O PSD vai apresentar uma “Moção de Censura” ao Vereador José Sá Fernandes.

As razões são de várias ordens: desde o túnel do Marquês (claro!) e o “bloqueio militante do executivo camarário nos anteriores mandatos” (está explicado porque é que caíram), à Praça das Flores (evidentemente!).

Mas a gota de água para o PSD é que “Vai agora privatizar o Jardim da Estrela entregando-o à conhecida cadeia de hipermercados continente, mais uma vez prejudicando todos os seus utilizadores em benefício de um poderoso grupo económico.”

Assim vai a honestidade intelectual dos deputados da Assembleia Municipal.

Para que conste, sucintamente, o Continente, no âmbito do mecenato ambiental, tem financiado variados projectos em todo o país. Em Lisboa, financiará uma extensão do parque infantil no Jardim da Estrela e colocará lá uma placa a dizer que aquela obra foi financiada pelo Continente.

Há quem diga que, face ao ridículo desta “Moção de Censura”, o PSD acabará por retirá-la, tendo já feito entretanto o seu pequeno número político…

Também eu gostava de ter assim tanta confiança na lucidez destes deputados, mas infelizmente não tenho

[B Aranda]

Fina ironia


Hoje saio citado no Público: «Já Bernardino Aranda, do gabinete do vereador, fala no mesmo local [Blog Arrastão] em “erro político” do autarca por se ter “colado” à iniciativa, que classifica como “uma tenebrosa privatização do espaço público”».

Quem segue o que tenho escrito e dito sobre o assunto, pode agora achar muito estranha esta citação.

Trata-se na verdade do velho problema com o uso da ironia no registo escrito: No registo falado ainda se percebe, pelo tom de voz ou pela cara..., em texto, é mais fácil haver confusões deste género.

De facto, no meu comentário, defendo sobretudo a tese que também aqui já defendi: Está a haver empolamento da questão e aproveitamento político descarado. Como digo no meu post, está a transformar-se, citando João de Deus, "Um impulso aquático, numa orgia celestial".

O “erro político” foi ter defendido uma operação que nem sequer é de sua responsabilidade, pondo em polvorosa os inimigos de estimação do Sá Fernandes para esta “tenebrosa privatização do espaço público” (ironia).

De facto, mesmo que se esteja contra a atribuição da licença à Skoda para fazer o seu evento na Praça das Flores, só empolando muito a questão é que se pode considerar “tenebrosa privatização do espaço público” ao que se passou.
[B Aranda]