sábado, 19 de janeiro de 2008

BRAGAPARQUES FINANCIOU CAMPANHA DO PSD EM LISBOA


De acordo com a informação revelada no semanário Sol, pelo menos um cheque de 20 mil euros foi entregue como donativo de campanha ao PSD/Lisboa nas autárquicas de 2005, eleições ganhas pelo então candidato laranja Carmona Rodrigues, que tinha Fontão de Carvalho como mandatário financeiro.

O Ministério Público diz que a origem do dinheiro são os sócios da Bragaparques. A generosidade da empresa teve lugar um mês após a permuta dos terrenos e a hasta pública que deu à Bragaparques os terrenos da Feira Popular, num processo recheado de ilegalidades. Esta é uma nova investigação do MP que decorre de forma autónoma em relação ao processo da permuta do parque Mayer que já produziu acusações a Carmona, Fontão, Eduarda Napoleão, Remédio Pires e mais dois arquitectos da CML.

Segundo a imprensa desta semana, embora não indique provas de terem tirado um benefício pessoal com o negócio, a acusação demonstra como ao longo de três anos os acusados agiram em todo o processo da permuta e venda de terrenos do Parque Mayer e Entrecampos com a finalidade de beneficiar a empresa Bragaparques SA. A operação teve início em 2002, quando a Câmara aprovou o pedido de informação prévia dos terrenos do Parque Mayer, na posse da Bragaparques. Por proposta de Eduarda Napoleão, e violando as normas do PDM, os vereadores do PSD e PP davam assim à Bragaparques o direito de construir 46500 m2 no Parque Mayer.

Em resultado desta decisão, os terrenos que a empresa adquirira em 1999 por 11 milhões de euros passaram a valer 54,6 milhões em 2005, altura em que se dá o negócio da permuta investigado pelo MP. A acusação diz que os arguidos deram ainda à Bragaparques o direito de preferência sobre a parcela dos terrenos camarários de Entrecampos que não tinham entrado na permuta, fazendo-o contra as deliberações da câmara e da Assembleia Municipal. E conseguiram ainda que a empresa não pagasse os 9,1 milhões de euros em taxas exigidas pelos regulamentos camarários, fazendo um loteamento municipal (e portanto isento de taxas) em terrenos privados.Em Julho de 2005, confima-se o direito de preferência atribuído à Bragaparques na compra dos terrenos, bastando-lhe igualar a proposta mais alta na hasta pública.

A empresa de Domingos Névoa fica com os terrenos por 61,9 milhões de euros e a Câmara dispõe de um mês para homologar a venda. Três dias depois, Santana Lopes, então presidente regressado após a derrota das legislativas e no PSD, lava as mãos do assunto e diz a Carmona que não assina, deixando-o à vontade para o fazer. Carmona fá-lo de imediato, sem esperar sequer pelo pagamento do sinal no valor de 6,1 milhões. O negócio fez-se em tempo recorde, numa pressa que também violou várias etapas processuais, segundo a acusação do MP, e que culminou no pagamento com um cheque não visado (tal foi a pressa).

O julgamento deste caso deverá começar já no próximo dia 24. Depois teremos o julgamento de Domingos Névoa/Bragaparques pela tentativa de corrupção de Sá Fernandes. Entretanto temos as consequências da Sindicância aos serviços de urbanismo. E, segundo as notícias, ainda poderemos ter o julgamento do financiamento ilegal da Bragaparques ao PSD/Carmona. É espantoso como em tão pouco tempo a anterior gestão municipal deu tanto trabalho ao Ministério Público...

Com o Bloco na Câmara...

"Não tenho dúvidas: apenas há 3 anos atrás, quando o Bloco não tinha ainda vereadores eleitos, nem seria sequer possível imaginar que pudesse ser posta em prática uma operação destas, de reestruturação e combate à corrupção, nos serviços do Urbanismo da Câmara de Lisboa."

Leia o texto completo de Bernardino Aranda no portal Esquerda

Lido na imprensa


Não costumo gostar das coisas que Manuel Serrão escreve, mas ele tem razão quando diz «mudem o campo de tiro de Alcochete para a Ota. O que não faltam lá é patos-bravos, que lá andaram a fazer especulação imobiliária, para serem abatidos».
[BA]

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ainda o processo do Parque Mayer

Para além de Carmona Rodrigues, Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão, foram acusados pelo Ministério Público, no âmbito do processo do Parque Mayer apresentado por José Sá Fernandes, três funcionários da CML:

- Jorge Remédio Pires, exercia funções de director municipal dos serviços centrais (onde se inclui o departamento jurídico);
- José Guilherme Azevedo, arquitecto, exercia funções como director do departamento de planeamento estratégico (pertence à direcção municipal de gestão urbanística);
- Rui Macedo, arquitecto, técnico da divisão de projectos particulares (pertence ao departamento de planeamento estratégico).

Carmona Rodrigues, Fontão de Carvalho, Eduarda Napoleão e Remédio Pires estão acusados de co-autoria de um crime de prevaricação de titular de cargo político e de participação económica em negócio.

Os arquitectos José Guilherme Azevedo e Rui Macedo estão acusados de co-autoria de um crime de abuso de poder.

Entretanto, o Ministério Público indicou mais de vinte testemunhas que terão de depor em Tribunal, nomeadamente Santana Lopes, Gabriela Seara, Domingos Névoa, Tomás Vasques, Pires Marques entre outros.

A audiência preliminar deste julgamento está marcada para o próximo dia 24.

[P]

Boas noticias


Ontem na imprensa, vinha a notícia que o próximo rali Paris-Dakar, já não será com partida em Lisboa, mas sim na América Latina (Chile e Argentina).


Tudo indica que os lisboetas acabaram de poupar 400 mil euros em patrocínios.


Espero que a Santa Casa, face a esta nova situação, pare também de injectar milhões de euros naquele evento e utilize a verba para ajudar os mais carenciados, porque, afinal, é essa a sua Missão

[BA]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Parque Mayer: CARMONA, FONTÃO E NAPOLEÃO ACUSADOS

O ex-presidente da CML Carmona Rodrigues e os ex-vereadores Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão, para além de 3 funcionários da Câmara, acabaram de ser notificados pelo Ministério Público que estão acusados e constituídos arguidos no processo de permuta do Parque Mayer pelos terrenos da Feira Popular, em que está envolvida a Bragaparques.

Neste momento, a reunião de Câmara, que está a analisar a decisão do Governo sobre o novo aeroporto e a 3ª travessia do Tejo, está a decorrer sem a presença de qualquer dos vereadores da lista de Carmona. Logo que tiveram conhecimento da notificação, abandonaram a reunião e comunicaram ao Presidente o facto.

No próximo dia 24, decorrerá a audiência preliminar do julgamento da acção promovida por José Sá Fernandes contra o ruinoso negócio para Lisboa da permuta do Parque Mayer. Na véspera, a CML reunirá e deverá apreciar a situação.

[P]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

VAI COMEÇAR JULGAMENTO DA PERMUTA DO PARQUE MAYER


No âmbito da acção popular interposta por José Sá Fernandes, colocando em causa a legalidade da permuta do Parque Mayer pelos terrenos de Entrecampos, a CML, a EPUL e a Bragaparques vão ser julgadas em tribunal.

O juiz do Tribunal Administrativo de Lisboa, no seu "despacho saneador", entendeu que não tinha fundamento a argumentação processual que os agora réus tentaram utilizar contra o autor da acção popular, José Sá Fernandes, com o objectivo de "matar" o processo. O despacho conclui que o processo deve avançar para julgamento.

A audiência preliminar do julgamento está já marcada para o próximo dia 24.

A importância deste processo para a cidade é enorme. Não será exagero afirmar que se encontra na base da crise política que levou à queda da Câmara e à constituição como arguidos de membros do anterior Executivo. Precisamente porque se encontra em julgamento, o processo da permuta do Parque Mayer não foi incluído na sindicância levada a cabo aos serviços de urbanismo da CML.

A Cidade precisa de ficar esclarecida sobre todas as eventuais conexões entre membros do executivo de Santana Lopes/Carmona Rodrigues e a Bragaparques neste negócio ruinoso para Lisboa. Exige-se, agora, à Câmara que a posição que defendeu no processo (favorável à permuta) seja alterada e funde uma nova posição na defesa da nulidade do negócio.

[P]