terça-feira, 7 de agosto de 2007

O acordo dá que falar...

O artigo dos jornalistas Eva Cabral e Pedro Correia sobre o acordo na Câmara de Lisboa, no DN de hoje, é aquilo a que se pode chamar, no mínimo, jornalismo de mau gosto.

Faz um intricado trabalho de corte e costura de declarações de vários dirigentes do Bloco com o único objectivo de chegar a uma conclusão que puxa para título - "Acordo BE-PS em Lisboa pode ser teste para 2009".

Depois de uma página a defender a tese do prenúncio para 2009, os jornalistas não conseguem escamotear as declarações de José Manuel Pureza que contrariam tudo o que foi sendo montado no texto: "O BE vai continuar a ser uma força de oposição muito firme ao Governo PS porque discorda das suas políticas. Este PS não merece o nosso acordo para uma plataforma política".

Fazer um acordo em torno de políticas municipais para Lisboa e manter toda a capacidade de confronto com o governo é complicado de mais para certas cabecinhas duras...

[P]

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Assessores

Não posso deixar de saudar a decisão da última reunião de Câmara em tornar transparente a política de assessorias para os gabinetes de apoio ao presidente e vereadores.

Aquilo que não está regulado pela lei e tem sido palco para os maiores abusos, passou a estar definido por decisão da Câmara, com o voto unanime de todos os vereadores.

Em síntese, os gabinetes das forças políticas que não têm pelouro passam a contar com quatro assessores, mais um por cada vereador eleito (por exemplo, a CDU, que elegeu Ruben de Carvalho e Rita Magrinho, terá 4 + 2 assessores, num total de 6).

Os gabinetes que têm vereadores com pelouro, terão direito a um máximo de três assessores, mais um por vereador eleito (por exemplo, o Bloco, que elegeu Sá Fernandes, terá 3+1, num máximo de 4).

O presidente e os vereadores com pelouro terão direito para a sua área executiva a um máximo de cinco assessores.

Ficou definido, igualmente, que o salário de assessor terá como limite o salário determinado por lei para um adjunto.

Ou seja, tudo claro e público, como deveria ter sido sempre. Lamento apenas que o Correio da Manhã e o 24 Horas, que se especializaram em atacar os assessores do Sá Fernandes durante a campanha (precisamente o que tinha menos assessores), ainda não tenham informado os seus leitores desta decisão municipal... Não acham relevante?!!

[P]

domingo, 5 de agosto de 2007

Primeiro dia de trabalho


Excelente post de Miguel Portas no Sem Muros sobre a actividade do novo executivo da CML.

[TIC]

Rendas e Blogs


A criação de rendas controladas em 25% dos novos projectos de construção e reabilitação imobiliária está a criar um ruído na blogosfera digno de nota.
O Insurgente e companhia limitada (literalmente limitada) escrevem sobre uma supostamente negativa deturpação que esta medida criará no mercado imobiliário. Segundo estes senhores os interesses dos empreiteiros e construtores civis estam não só de acordo com os princípios de planeamento urbanístico como também estam em plena sintonia com as necessidades dos cidadãos lisboetas. Segundo estes senhores o mercado funciona "naturalmente" a favor dos cidadãos (que estranhamente trocam Lisboa por dormitórios mais em conta). Segundo os mesmos senhores esta é a única razão por cidades como Nova Iorque e Paris terem o m2 mais caro do mundo... ou será que é pelo simples facto de os terrenos se terem valorizado progressivamente?!

Para limpar a cabeça desta escrita assaz ignorante proponho a leitura de três excelentes posts da autoria dos Ladrões de Bicicletas, do Zero de Conduta e ainda Miguel Portas no Sem Muros.

[TIC]

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Agora é que já não percebo nada!


A propósito das infelizes declarações de ontem à noite, da parte da Vereadora Helena Roseta, lembrei-me de fazer uma pesquisa pelo google com as palavras "José Sá Fernandes convergência".

Eis alguns resultados:

É por isso que venho propor – aos partidos políticos, às associações e aos movimentos de cidadãos empenhados nos valores por que me tenho batido – uma união de vontades politicas e cívicas com vista à constituição de uma coligação pré-eleitoral para concorrer às próximas eleições da Câmara Municipal de Lisboa.

16 de Maio, Declaração Pública em que Sá Fernandes apela a uma convergência pré-eleitoral e diz, pela primeira vez, que legalmente, os prazos de recolha de assinaturas para os movimentos de cidadãos são mais alargados, como aliás se veio a verificar.

Questionado pelos jornalistas sobre quem vai contactar, Sá Fernandes afirmou que vai "apelar a toda a gente", nomeadamente a CDU, o PS e Helena Roseta, que pretende candidatar-se à Câmara de Lisboa como independente.

16 de Maio, RTP


Quanto à declaração de Fernandes apelando a uma «convergência de esforços» entre partidos, associações e movimentos de cidadãos, Roseta considerou difícil que ainda possam ser inscritas coligações para concorrer às eleições intercalares, devido aos prazos.

16 de Maio, TSF

"Chegou a estar agendada uma reunião com Helena Roseta mas foi desmarcada ontem à noite. Se não há capacidade por parte de Helena Roseta para uma convergência nós lamentamos mas a nossa estratégia é de apoio a José Sá Fernandes", afirmou Pedro Soares.

17 de Maio, Antena 1 (Pedro Soares, nº 2 da lista "Lisboa é Gente")

«É de convergência de muitas vontades e não de salvadores iluminados que se faz a cidadania. Mais convergência tivesse sido possível, e a cidade teria ficado a ganhar»

2 Junho, José Sá Fernandes na Convenção do Bloco de Esquerda

“uma convergências das forças políticas, para fazer em conjunto um programa de emergência, e que todos os que queiram fazer isto tenham pelouros, porque o trabalho é para todos e não só para alguns”.

Helena Roseta opõe-se, assim, a “criar, dentro da Câmara, um espírito de maioria e outro de oposição”.

20 Junho, Helena Roseta em entrevista à RR, citada pelo seu site


«Estou aberto a convergências de governo na Câmara desde que assentem em bases programáticas e que não me peçam para fechar os olhos. Podemos chegar a consensos, com Maria José Nogueira Pinto, António Costa, seja com quem for, menos com aqueles que nada fizeram nestes últimos seis anos», disse José Sá Fernandes.

22 Junho


Queremos saber o que pensa Ruben de Carvalho, Helena Roseta e António Costa, que dirigem as três candidaturas com as quais poderemos vir a convergir para uma solução, sobre seis pontos que para nós são pontos de partida para qualquer entendimento

30 Junho, Discursso no Jantar de Apoiantes


Haverá hipóteses de entendimento futuro?

As convergências são sempre bem vindas desde que assentem em programas.

Se houver convergência em medidas programáticas que assentarem em três vertentes será positivo.

Resolver o problema da situação financeira com critérios de alguma justiça social. Não vamos permitir que se despeçam pessoas na Câmara, temos é que inverter a situação das receitas trazendo mais pessoas para cá.

Apostar na reabilitação do que já existe e do espaço público, em vez de novas construções e de especulações imobiliárias.

Que a recuperação do espaço público se faça através da estrutura ecológica do Gonçalo Ribeiro Telles.

As convergências fazem-se através de medidas programáticas, não se fazem através da distribuição de lugares por partidos ou pelo número de assessores que cada um pode trazer.

Está disposto a assumir pelouros?

Com certeza, com base num entendimento programático. Estou disponível, mas não aceito nenhum pelouro se a contrapartida for fechar os olhos. Imagine que me davam o pelouro do ambiente, nós faríamos certamente um grande trabalho no ambiente, mas eu não podia aceitar que se fizessem urbanizações ou pactuar com situações que invertessem este ciclo, que eu quero que seja dinâmico, que é reabilitar o existente e o espaço público.

2 Julho, Entrevista ao Jornal Esquerda, o Orgão de comunicação do Bloco Esquerda


O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes, considera inqualificáveis as declarações de Helena Roseta e António Costa, que deixam a porta aberta a uma coligação com Carmona Rodrigues.

De acordo com o Bloco de Esquerda, tem de haver entendimento pós-eleitoral, mas nunca com quem é responsável directo pelo descalabro da Câmara de Lisboa.

8 Julho, TVI no seguimento das declarações de António Costa e Roseta


Não vos maço mais.

Quem quer que tenha seguido minimamente a campanha, quem acompanha o nosso Blog, sabe que a preocupação da nossa candidatura nunca foi que Helena Roseta tivesse um acordo com o PS, mas sim que Carmona Rodrigues ou o PSD, voltassem a ter funções executivas.

Sabe que antes da apresentação de listas nos esforçamos para que houvesse um entendimento à esquerda, "com as forças políticas que não participaram do descalabro dos últimos 6 anos", como foi dezenas de vezes repetido.

Sabe que durante a campanha insistimos na tese de que António Costa nunca iria obter a maioria absoluta e, como tal, seria desejável um entendimento à esquerda, para governar a cidade, com base numa convergência programática que mudasse o rumo que tem levado a cidade para o abismo e que excluísse, naturalmente, os autores desse rumo.

Sabe que nos incomodámos e nos preocupámos ao ver que quer o PS, quer Helena Roseta, durante a campanha, nunca dizerem claramente que "acordos com Carmona Rodrigues, não"

Sabe que na última semana de campanha e na noite eleitoral, todas as declarações de Sá Fernandes foram no sentido de reafirmar as "6 condições inegociáveis" para um acordo político para a gestão da Câmara.

Sabe que mesmo agora, depois da campanha, tanto José Sá Fernandes, como o Bloco de Esquerda continuam a afirmar que é preferível que o entendimento para o governo da cidade se faça com toda a esquerda, CDU e Cidadãos por Lisboa, incluídos.

As declarações de Helena Roseta são assim incompreensíveis, para além de carregarem uma agressividade contra Sá Fernandes e a sua candidatura que só estavámos habituados por parte de alguns srs. ligados à construção civil.

[BA]

Napoleão Sá Fernandes


José Sá Fernandes é a todos os títulos um vereador bem sucedido. Arrasou com a maioria PSD/Carmona, criou as condições para uma verdadeira alternativa para a Câmara Municipal de Lisboa e estabeleceu um acordo político com António Costa baseado num programa de acção governativa com metas concretas e transparentes sem abdicar da liberdade de voto.

Esta estrondosa vitória de Sá Fernandes e Bloco de Esquerda já foi mesmo classificada de Napoleónica! por... Carmona Rodrigues.
Em entrevista à TSF este excelso representante do falhanço da direita governativa afirma que não compreende como é que a sexta força política destas eleições conseguiu alcançar tal resultado. O segredo é simples: construir uma base programática forte e uma acção verdadeira! Um programa cujo valor é reconhecido e tomado por outros não pode ser senão uma mais-valia governativa e é isso que Carmona Rodrigues é incapaz de compreender.
Na realidade isto é um duro golpe para um "movimento" cuja coesão se baseava na perspectiva de poder e manutenção de tachos camarários. Talvez não falte muito até o delfim de Santana Lopes se tornar uma irrelevância pública, um digno sucessor do menino guerreiro.

[TIC]



Contra os interesses instalados, 1 só interesse


Joaquim Carlos Fortunato [presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas] mostra-se incrédulo com esta obrigatoriedade de pelo menos 25 por cento das novas casas serem vendidas a custos controlados e, se for necessário, ameaça recorrer aos tribunais.

«Nós estamos na cidade de Lisboa, não estamos em havana, não estamos em cuba, e se isso avançar admitimos recorrer ao tribunal porque não nos parece legal quaisquer medidas que fixem os preços das casas», diz Joaquim Fortunato.


[BA]